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Dados do setor

Consórcio em 2026: o que os números mostram sobre quem está comprando, o quê e quanto custa

O sistema vendeu 14,9% mais cotas de janeiro a julho, e o imóvel puxou a alta do crédito. Os números mostram onde está o dinheiro, quanto custa cada segmento e como escolher o plano certo para o seu.

Equipe Ribz Consórcios 9 min de leitura

Neste texto

O resumo em cinco pontos

  • O sistema fechou julho com 13,41 milhões de participantes ativos, e vendeu 3,31 milhões de cotas no ano, 14,9% a mais que no ano passado.
  • Imóveis respondem por 58,8% do crédito do sistema, com tíquete médio de R$ 223,32 mil.
  • A taxa de administração média de grupos novos é de 18,35%, mas varia de 13,69% no segmento outros a 21,27% em motos.
  • O índice de exclusão do sistema é de 48,6%, e em imóveis chega a 56,9%. Ele soma anos de saídas, por isso não serve como taxa de desistência anual.
  • O prazo médio de um grupo novo de imóveis é de 216,8 meses. Dezoito anos.

Todo setembro o setor publica um balanço e a imprensa repete o número de crescimento. Este ano ele veio forte de novo. O sistema vendeu 3,31 milhões de cotas entre janeiro e julho, 14,9% a mais que no mesmo período do ano passado, e movimentou R$ 331,60 bilhões em créditos.

É um número real e é um número bom. A gente juntou o que o Banco Central do Brasil e a ABAC publicam para mostrar o resto do retrato, que é quanto custa administrar uma cota, como os grupos se renovam e quanto tempo um plano dura.

De onde vem cada número. Os dados de cotas, créditos e participantes são da ABAC, período de janeiro a julho de 2026. Os dados de taxa de administração, índice de exclusão, prazo médio e inadimplência são do Panorama do Sistema de Consórcios do Banco Central do Brasil, com data-base de dezembro de 2024, que é a versão mais recente publicada até o fechamento deste texto. A Selic de 13,75% ao ano é a definida pelo Copom em 16 de setembro de 2026.

O tamanho do sistema em 2026

Em julho de 2026 o sistema tinha 13,41 milhões de participantes ativos. Para você ter ideia do tamanho disso, é mais gente do que mora na cidade de São Paulo inteira. No acumulado do ano foram 1,03 milhão de contemplações, alta de 3,2%.

Repare na diferença entre os dois ritmos. As cotas vendidas cresceram 14,9%, e as contemplações, 3,2%. Isso é normal num sistema que cresce, porque a cota nova entra hoje e a contemplação dela vem ao longo dos anos seguintes. É esse ritmo que o lance ajuda a acelerar para você.

O sistema de consórcios em números, janeiro a julho de 2026
IndicadorValorVariação no ano
Cotas comercializadas3,31 mi+14,9%
Créditos comercializadosR$ 331,60 bi+22,9%
Participantes ativos (jul/26)13,41 mi—
Contemplações1,03 mi+3,2%
Tíquete médio geralR$ 107,82 mil—
Administradoras autorizadas131—

Onde o dinheiro está

Imóveis respondem por 58,8% de todo o crédito do sistema, com tíquete médio de R$ 223,32 mil e alta de 40,8% em cotas no ano. É o segmento que puxa o setor inteiro, e é ele que explica por que o crescimento em crédito, de 22,9%, veio maior que o crescimento em cotas, de 14,9%. Está entrando mais gente comprando bem de valor alto.

Logo atrás vem o segmento de pesados e máquinas agrícolas, com o maior tíquete individual do sistema, R$ 245,80 mil. Dentro dele, máquinas agrícolas são 51% e caminhões 41%. Motos ficam no outro extremo, com tíquete médio de R$ 21,67 mil, o menor de todos.

Quem compra imóvel por consórcio está assumindo um compromisso de quase dezoito anos. Esse é o tipo de decisão que merece mais de uma proposta na mesa.

A taxa de administração, segmento por segmento

Consórcio não tem juros. O que ele tem é taxa de administração, e ela é o item de custo que decide se um plano é bom ou ruim. A média de grupos novos no sistema era de 18,35% em dezembro de 2024, e ela muda bastante conforme o bem.

Taxa média de administração de grupos novos, por segmentoMotos têm a maior taxa média, 21,27 por cento, e o segmento outros a menor, 13,69 por cento. A média do sistema é 18,35 por cento.0%6%12%18%24%Motos: 21,27%Motos21,27%Imóveis: 20,84%Imóveis20,84%Sistema: 18,35%Sistema18,35%Automóveis: 15,01%Automóveis15,01%Outros: 13,69%Outros13,69%
Taxa média de administração de grupos novos, em percentual do crédito. Fonte: Panorama do Sistema de Consórcios, Banco Central do Brasil, data-base de dezembro de 2024. O segmento outros reúne serviços, equipamentos, energia solar, náutico e aéreo.

Parece contraintuitivo que moto, o bem de menor valor, tenha a maior taxa. Mas faz sentido quando você pensa no custo de operar o grupo. Administrar um grupo dá praticamente o mesmo trabalho independentemente do valor das cartas, e num grupo de cartas de R$ 21 mil esse trabalho pesa muito mais em percentual do que num de R$ 223 mil.

Como comparar do jeito certo. Taxa de administração e taxa de juros não são a mesma unidade e não se comparam de forma direta. A taxa de administração é um percentual único sobre o crédito, diluído nas parcelas. Juros incidem sobre saldo devedor ao longo do tempo. Para comparar com um financiamento, o jeito certo é olhar o custo total de cada caminho no mesmo prazo, e é essa conta que a gente monta com você.

A faixa praticada no mercado brasileiro vai de 6,5% a 28%. Na prática, escolher bem a administradora pode levar a sua taxa a um quarto da mais alta no mesmo bem, e é essa economia que a comparação entre as vinte coloca no seu bolso. A gente explica em detalhe como essa taxa aparece na sua parcela, para você ver quanto dela entra em cada parcela.

O que o índice de exclusão mede

O índice de exclusão do sistema era de 48,6% em dezembro de 2024. Em imóveis, 56,9%.

Índice de exclusão acumulado, por segmentoImóveis têm o maior índice de exclusão acumulado, 56,9 por cento, e o segmento outros o menor, 38,5 por cento. A média do sistema é 48,6 por cento.0%15%30%45%60%Imóveis: 56,90%Imóveis56,90%Sistema: 48,60%Sistema48,60%Motos: 48,10%Motos48,10%Automóveis: 46,80%Automóveis46,80%Outros: 38,50%Outros38,50%
Índice de exclusão acumulado, em percentual. Fonte: Panorama do Sistema de Consórcios, Banco Central do Brasil, data-base de dezembro de 2024. O índice é estoque acumulado de cotas excluídas em relação ao total, e não a taxa de desistência de um único ano.

Antes de você concluir qualquer coisa, vem a ressalva que mais importa neste texto. Esse número é um estoque acumulado. Ele soma cotas excluídas ao longo de muitos anos e compara com o total da base, então ele não serve para medir quanta gente desistiu num ano só. Quem lê como “metade desiste por ano” está lendo errado.

O dado que mais ajuda quem vai comprar é outro. A inadimplência corrente do sistema está em 2,35%, que é pouco. Quem entra com a parcela certa para o próprio orçamento paga em dia e chega no bem.

O trabalho de um bom representante é encaixar o plano no orçamento de quem está na frente dele, com a parcela e o prazo que fazem o sonho caber no mês.

É para isso que existe o teste de perfil, que mostra em poucos minutos qual plano combina com o seu momento.

Quanto tempo um plano dura de verdade

Prazo médio de grupos novos, por segmento, em dezembro de 2024:

Prazo médio de grupos novos, em meses, por segmentoImóveis têm o prazo médio mais longo, 216,8 meses, e motos o mais curto, 65,5 meses.0 m60 m120 m180 m240 mImóveis: 216,80 mImóveis216,80 mOutros: 104,50 mOutros104,50 mAutomóveis: 89,70 mAutomóveis89,70 mMotos: 65,50 mMotos65,50 m
Prazo médio de grupos novos, em meses. Fonte: Panorama do Sistema de Consórcios, Banco Central do Brasil, data-base de dezembro de 2024.

Duzentos e dezesseis meses em imóveis são dezoito anos. É mais do que o prazo de muitos financiamentos imobiliários, e com lance a carta pode chegar bem antes do fim desse prazo.

Consórcio de imóvel funciona muito bem para quem está construindo patrimônio e quer fugir dos juros do financiamento. Para quem quer a chave mais cedo, o caminho é entrar com lance, usando recurso próprio, FGTS ou parte da carta, e a gente monta essa conta com você. A gente coloca as duas contas lado a lado com o mesmo imóvel e o mesmo prazo, porque a resposta muda conforme o seu caso.

Contemplação por sorteio ou por lance. Ela acontece por sorteio ou por lance, em assembleia, e depende do tamanho do grupo, da arrecadação do mês e dos lances dos outros participantes. O lance é a ferramenta para antecipar, e a gente monta a estratégia com você olhando o histórico de lances de cada grupo.

O que fazer com essa informação

Se você chegou até aqui, vale levar três coisas para a próxima conversa com qualquer vendedor de consórcio, inclusive com a gente.

  1. Peça a taxa em percentual e em reais, na mesma frase. Uma taxa de 18% numa carta de R$ 200 mil dá R$ 36 mil. No dia em que o número aparece em reais, a conversa muda de qualidade na hora.
  2. Olhe o prazo antes de olhar a parcela. Parcela pequena com prazo comprido é a forma mais comum de fazer um plano parecer confortável. Multiplique a parcela pelo número de meses, compare com o valor da carta, e o que sobrar é o custo do plano.
  3. Compare mais de uma administradora. Entre a menor e a maior taxa do mercado há quatro vezes de diferença, e no índice de reclamações do Banco Central a distância é bem maior que isso. O ranking está publicado, com a data-base ao lado de cada número.

Com esses números na mão, você chega na simulação sabendo o que perguntar e sai dela com o plano certo para o seu bem.

Perguntas sobre estes números

O índice de exclusão de 48,6% significa que metade das pessoas desiste?

Não significa. O índice é um estoque acumulado, que soma todas as cotas excluídas ao longo dos anos e compara com o total da base. Ele não mede quanta gente desistiu num ano só, e confundir as duas coisas é o erro mais comum na leitura desse número.

Por que a taxa de administração de moto é maior que a de imóvel?

Porque o valor do crédito é muito menor e o custo de administrar um grupo não cai na mesma proporção. Administrar um grupo de cartas de R$ 21,67 mil, que é o tíquete médio de motos apurado pela ABAC entre janeiro e julho de 2026, dá praticamente o mesmo trabalho que administrar um de R$ 223,32 mil em imóveis, e o percentual precisa cobrir esse custo. Por isso motos aparecem com 21,27% de taxa média e automóveis com 15,01%, segundo o Banco Central.

Esses números valem para a administradora que eu estou avaliando?

Não. São médias do sistema inteiro, publicadas pelo Banco Central. A taxa, o prazo e o comportamento de um grupo específico estão no regulamento daquele grupo, e é ele que vale para você. Use as médias como régua, para perceber na hora quando uma proposta está fora da curva.

Por que os dados de taxa e prazo são de dezembro de 2024 se o texto é de 2026?

Porque é a data-base do último Panorama do Sistema de Consórcios que o Banco Central publicou até o fechamento deste texto. A gente prefere citar o dado com a data real dele do que atualizar de cabeça. Quando sair versão nova, a gente volta aqui e revisa.

Consórcio é investimento?

Não é. O artigo 2º da Lei 11.795/2008 define consórcio como aquisição de bens ou serviços, e não como aplicação financeira, então ele não gera rendimento nenhum. O que ele faz é organizar uma compra ao longo do tempo sem juros de empréstimo, o que é diferente de render. Quem quer comprar um bem sem pagar juros encontra no consórcio o caminho certo, e quem busca rentabilidade tem produtos próprios para isso.

Quer ver como esses números ficam no seu caso?

Me conta o que você quer comprar. A gente monta a simulação com a taxa e o prazo de cada administradora que tem grupo aberto para esse bem, manda por escrito no mesmo dia útil, e você fica com a que deixa mais dinheiro no seu bolso.